Em resumo
O eletrocardiograma (ECG) ocupacional é um complemento ao exame clínico. Eletrodos fixados ao tórax, aos pulsos e aos tornozelos captam o ritmo e a condução elétrica do coração, e o traçado é analisado por profissional habilitado. Em poucos minutos o médico do trabalho tem mais um dado para decidir sobre a aptidão.
Quando a empresa precisa
O ECG não é pedido para todos. Ele costuma aparecer no PCMSO de funções com maior demanda cardiovascular:
- Trabalho em altura, espaço confinado e atividades de resgate.
- Operações com esforço físico intenso, como carga e descarga na logística e construção civil.
- Motoristas profissionais e operadores de máquinas pesadas.
- Brigadistas e trabalhadores em ambientes quentes, como cozinhas industriais.
- Colaboradores com histórico de doença cardíaca ou hipertensão, a critério médico.
Como a MT10 conduz
- A empresa informa a função e confirma se o ECG está previsto no programa de saúde.
- O trabalhador comparece no horário agendado, com o preparo orientado.
- O exame é feito no mesmo atendimento do clínico, sempre que a agenda permitir.
- O laudo é analisado pelo médico do trabalho, que registra a conclusão no ASO.
Pontos de atenção
- Cremes e óleos na pele podem atrapalhar a fixação dos eletrodos. Oriente o colaborador a chegar com a pele limpa.
- Medicamentos de uso contínuo devem ser informados ao médico.
- Dor no peito, falta de ar ou desmaio não esperam exame ocupacional: nesses casos, procure atendimento de urgência.
Preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento. O resultado do ECG não é um diagnóstico isolado.
E se houver alteração?
Quando o traçado sugere algo que precisa de investigação, o médico do trabalho orienta o colaborador a procurar avaliação cardiológica. O ASO é emitido conforme a conclusão do médico para a função. Veja também o painel de exames complementares e o exame periódico.
Como organizar a agenda
Em empresas com muitos colaboradores, o ideal é agrupar os exames por turno e por função, informando à clínica a lista com antecedência. Assim o trabalhador faz o ECG e o exame clínico na mesma ida, e a produção sofre menos com ausências. Guarde o traçado no prontuário, pois a comparação com exames anteriores ajuda o médico a perceber mudanças.
Erros comuns
O ECG é um exame simples, mas alguns equívocos reduzem sua utilidade para o RH e para o médico.
- Pedir o exame para todos os cargos, inclusive os administrativos sem indicação, sem base no PCMSO.
- Não informar medicamentos de uso contínuo, o que dificulta a leitura do traçado.
- Perder o laudo anterior e, com isso, a chance de comparar com o novo exame.
- Tratar um traçado normal como garantia de que não há doença cardíaca: o ECG mostra o momento do exame.
O que o ECG não responde
O eletrocardiograma registra o funcionamento elétrico do coração no momento do exame. Ele não avalia sozinho a pressão arterial, o colesterol, a capacidade física nem o risco futuro de infarto. Por isso, o médico do trabalho cruza o traçado com a entrevista clínica, a medida da pressão e os fatores de risco do trabalhador. Se necessário, orienta exames como teste ergométrico ou avaliação com cardiologista, que são feitos fora do contexto do ASO.