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PGR na NR-1: como elaborar o programa de gerenciamento de riscos, passo a passo

O PGR substituiu o antigo PPRA e é hoje o centro da gestão de SST. Um PGR bem feito orienta o PCMSO, os treinamentos e as medidas de controle; um PGR de gaveta só cumpre tabela.

Publicado por Medicina do Trabalho 10 · 13/10/2026

Entenda em 1 minuto

O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) é o documento e, principalmente, o processo previsto na NR-1 para identificar perigos, avaliar riscos e definir medidas de prevenção em todas as atividades da empresa. Ele tem duas partes centrais: o inventário de riscos, que registra o que foi identificado, e o plano de ação, que define o que será feito, por quem e quando.

O PGR alimenta quase tudo em SST: o PCMSO escolhe exames a partir dele, os treinamentos respondem a ele e o eSocial reflete suas conclusões. Por isso, quando ele é fraco, tudo o que depende dele também é.

Como o PGR se organiza

ParteO que contém
Inventário de riscosPerigos identificados, fontes, trabalhadores expostos, medidas existentes e classificação do risco
Plano de açãoMedidas de prevenção, responsáveis, prazos definidos pela empresa e forma de acompanhamento
Processo de gestãoRevisão, comunicação aos trabalhadores e integração com outros programas

Passo a passo para elaborar

  1. Levantamento da empresa: setores, funções, processos, máquinas, produtos e jornadas.
  2. Identificação de perigos: observação dos ambientes, conversa com os trabalhadores e análise de acidentes e afastamentos anteriores.
  3. Avaliação dos riscos: consideração da gravidade e da probabilidade, com medições quando necessárias.
  4. Classificação: definição de quais riscos exigem ação prioritária.
  5. Medidas de prevenção: eliminação, controle coletivo, organização do trabalho, treinamentos e, por último, EPI.
  6. Plano de ação: responsáveis, cronograma e indicadores de acompanhamento.
  7. Comunicação: informar os trabalhadores sobre os riscos e as medidas.
  8. Revisão: periódica e sempre que houver mudança relevante.

Tipos de risco considerados

  • Físicos: ruído, calor, vibração e radiações.
  • Químicos: poeiras, fumos, gases, vapores e produtos de limpeza.
  • Biológicos: microrganismos presentes em saúde, esgoto, lixo e laboratórios.
  • Ergonômicos: postura, esforço, repetitividade e organização do trabalho. Veja o artigo sobre AEP e AET.
  • De acidentes: quedas, choques, máquinas sem proteção e trânsito.
  • Psicossociais: a NR-1 inclui os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos. Leia riscos psicossociais na NR-1.

Checklist do RH

  • Organograma, lista de funções e descrição das atividades.
  • Layout do estabelecimento e lista de máquinas e produtos.
  • Histórico de acidentes, afastamentos e queixas de saúde.
  • Registros de EPI e de treinamentos.
  • Laudos anteriores, como LTCAT, medições e PGR/PPRA anteriores.
  • Contato do responsável interno que acompanhará as visitas.
  • Calendário previsto de mudanças: obras, novas máquinas e novos setores.

Situações reais

Comércio varejista. Estoque com empilhamento de caixas, escadas e piso escorregadio. O PGR registra riscos de queda e ergonomia, e o plano de ação inclui treinamento e organização do depósito.

Construtora. Vários frentes de obra, trabalhos em altura, máquinas e eletricidade. O PGR é detalhado por etapa, com integração aos programas específicos da construção.

Clínica médica. Riscos biológicos, ergonômicos e psicossociais. O inventário orienta o PCMSO e as ações de prevenção.

Erros comuns

  • PGR copiado de modelo: riscos que não existem e riscos reais ausentes.
  • Sem plano de ação: sem responsável e acompanhamento, o documento não gera mudança.
  • Esquecer funções administrativas: também há risco ergonômico e psicossocial.
  • Não consultar os trabalhadores: quem executa a tarefa conhece os perigos reais.
  • Não revisar: mudanças de processo exigem atualização.
  • Desconectar do PCMSO: exames devem derivar do inventário de riscos.
  • Usar o EPI como primeira medida: a hierarquia de controle começa pela eliminação e pelo controle na fonte.

Dispensa para pequenas empresas

A NR-1 prevê um tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte de graus de risco 1 e 2, e para MEI, em situações específicas, como a declaração de inexistência de exposição a agentes físicos, químicos e biológicos. Mesmo assim, a empresa continua obrigada a cumprir as demais exigências de SST, incluindo exames ocupacionais. Verifique as condições na norma vigente.

As normas regulamentadoras são atualizadas com frequência. Use este texto como guia e confirme as regras vigentes antes de decidir.

Hierarquia das medidas de controle

O plano de ação deve seguir uma ordem de preferência. Primeiro, tentar eliminar o perigo, por exemplo substituindo um produto ou retirando uma etapa. Depois, reduzir o risco na fonte, com enclausuramento, proteção de máquinas ou ventilação. Em seguida, atuar na organização do trabalho, com escalas, pausas, procedimentos e treinamentos. O EPI entra quando as demais medidas não são suficientes ou enquanto estão sendo implantadas. Essa lógica evita que a empresa dependa apenas do comportamento individual do trabalhador.

Como manter o PGR vivo

  • Revise o inventário sempre que houver nova máquina, novo produto, obra ou mudança de turno.
  • Inclua os resultados de acidentes, quase acidentes e reclamações na análise de riscos.
  • Apresente o andamento do plano de ação à CIPA ou ao responsável designado.
  • Use os indicadores para priorizar investimentos em segurança.

Documentos que costumam acompanhar o PGR

O PGR se conecta a outros programas e planos: PCMSO, laudos de agentes, planos de emergência, mapeamento de áreas, registros de treinamentos e procedimentos operacionais. Mantê-los em uma estrutura única, com versões datadas, facilita auditorias e perícias. Uma boa prática é nomear um responsável por cada documento e registrar a data da última revisão, para que a empresa saiba, de uma só vez, o que está em dia e o que precisa ser atualizado.

Quanto tempo leva e quem participa

O tempo de elaboração varia com o porte, o número de setores e a complexidade dos processos. Uma loja pequena pode ter o inventário concluído rapidamente, enquanto uma indústria com várias linhas exige mais visitas e medições. Em qualquer caso, a participação do RH, das chefias e dos trabalhadores é decisiva: sem elas, o documento descreve uma empresa idealizada, e não a real.

Como a MT10 conduz

A MT10 elabora e revisa o PGR com visita aos ambientes, escuta dos trabalhadores e integração ao PCMSO. Conheça a página do PGR e fale pelo WhatsApp informando o setor de atuação e o número de trabalhadores. Para entender a parte médica, leia PCMSO: o que é e quem precisa.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre pGR (NR-1): como elaborar

O PGR substituiu o PPRA?

Sim. O PGR, previsto na NR-1, passou a ser o instrumento de gerenciamento de riscos ocupacionais, ampliando o escopo que antes era do PPRA.

Todo trabalhador precisa estar no PGR?

O PGR deve contemplar todos os ambientes e funções da empresa, inclusive administrativos, pois todos têm riscos a identificar, como os ergonômicos.

Quem assina o PGR?

O documento deve ser elaborado por profissional com a competência exigida pela norma, e a empresa é responsável por implementar as medidas definidas.

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