Em resumo: a audiometria acompanha quem trabalha exposto a ruído
A audiometria ocupacional mede a capacidade de ouvir sons de diferentes frequências e permite acompanhar a saúde auditiva do trabalhador ao longo do tempo. Quando a função expõe a ruído acima do que a NR-7 considera para controle, o exame passa a fazer parte do PCMSO, com um calendário próprio: na admissão, depois de um período inicial e, a seguir, em intervalos regulares.
O ponto central para o RH: não é o cargo que define o exame, e sim o risco identificado no PGR. Por isso, setores com máquinas, compressores, serras ou ambientes barulhentos tendem a ter o exame, enquanto funções administrativas, em geral, não.
Quando a audiometria costuma ser exigida
- Admissão: o exame inicial forma a referência para toda a vida laboral do trabalhador naquela função.
- Seguimento: depois da admissão, a NR-7 prevê uma repetição em prazo curto e, na sequência, acompanhamento anual para expostos. O calendário exato deve ser confirmado com o médico coordenador e na norma vigente.
- Mudança de função ou de risco: se o trabalhador passa a atuar em ambiente com ruído, a audiometria pode ser incluída antes da mudança.
- Demissão: o exame demissional pode exigir audiometria quando a norma e o PCMSO assim definirem.
Setores em que o exame é comum
- Indústria metalúrgica e marcenarias: corte, usinagem e lixamento.
- Construção civil: martelete, serra circular, betoneira e compactadores.
- Agronegócio: tratores, colheitadeiras e beneficiamento de grãos.
- Frigoríficos e indústria de alimentos: linhas de produção e compressores.
- Gráficas e lavanderias industriais: máquinas contínuas.
- Operadores de aeroporto e transporte: motores e equipamentos de pátio.
Como o exame é feito
- Conversa inicial: perguntas sobre histórico auditivo, uso de protetores, doenças e medicamentos.
- Inspeção do conduto: verificação visual do ouvido, pois excesso de cerume pode atrapalhar.
- Teste em cabine: o trabalhador fica em ambiente silencioso, com fones, e sinaliza quando percebe cada som.
- Laudo: o resultado é registrado em um gráfico chamado audiograma e interpretado pelo profissional responsável.
- Conclusão no ASO: o médico do trabalho considera o resultado e o histórico para o parecer de aptidão.
Checklist do RH antes do dia do exame
- Informe ao trabalhador o preparo orientado pela clínica no agendamento, incluindo o período de repouso auditivo.
- Evite escalar o exame logo após um turno em ambiente muito ruidoso.
- Oriente o trabalhador a informar problemas de ouvido, zumbido, uso de medicamentos e dores recentes.
- Envie à clínica a função, o setor e o risco de ruído que consta no PGR.
- Reúna o histórico de audiometrias anteriores, quando houver, para comparação.
- Registre se o trabalhador usa protetor auricular e de qual tipo.
Como o resultado é lido
O audiograma de um trabalhador é comparado com o resultado anterior dele mesmo, não apenas com uma tabela geral. É a evolução ao longo do tempo que mostra se há agravamento. Alterações podem ter causas diversas, como idade, doenças do ouvido ou exposição a ruído, dentro e fora do trabalho. Cabe ao médico avaliar o conjunto e orientar o encaminhamento, quando necessário.
Se a empresa percebe que vários trabalhadores do mesmo setor apresentam piora, é sinal de que o controle do ruído precisa ser revisto. Programas de conservação auditiva, descritos em PCA - conservação auditiva, ajudam a organizar medidas de proteção e acompanhamento.
Erros comuns
- Fazer o exame sem preparo: sem o repouso orientado, o resultado pode induzir a erro.
- Pedir audiometria para todos os cargos: exame sem indicação técnica aumenta custo e não protege ninguém.
- Esquecer o seguimento: a admissional vale como referência, mas o acompanhamento é o que detecta mudanças.
- Misturar laudos de empresas diferentes: o histórico auditivo do trabalhador deve ser guardado e comparado.
- Tratar o EPI como solução definitiva: o protetor auricular precisa ser adequado, estar em bom estado e ser bem usado.
Exemplo de calendário por setor
Imagine uma indústria de móveis em Goiânia com marcenaria, acabamento, expedição e escritório. A marcenaria e o acabamento têm ruído e entram no programa de audiometria. A expedição depende da medição do ambiente. O escritório fica de fora. O RH monta uma planilha com os trabalhadores de cada setor, a data da última audiometria e o próximo vencimento, e distribui os exames ao longo do ano, em vez de concentrar tudo em um mês só.
Esse desenho também facilita a leitura dos resultados: quando todos os exames de um setor saem juntos, é mais fácil perceber se o grupo está piorando e agir no controle do ruído.
Proteção auditiva no dia a dia
O exame acompanha a audição, mas não a protege. A proteção vem da redução do ruído na fonte, do isolamento de máquinas, da organização do trabalho e, por fim, do protetor auricular bem escolhido e bem ajustado. Vale treinar a equipe para colocar o protetor corretamente, substituir quando estiver gasto e usar durante toda a exposição, não apenas nos momentos de maior barulho.
Como a MT10 conduz
A MT10 confere no PCMSO se a função exige audiometria, orienta o RH e o trabalhador sobre o preparo, realiza o exame e envia o resultado para análise do médico do trabalho, que conclui no ASO. Para empresas com muitos expostos, é possível organizar o calendário por setor, evitando que todos os exames caiam no mesmo mês.
Preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento. Em caso de dor intensa, perda súbita de audição ou tontura forte, procure atendimento médico de urgência.
Saiba mais sobre o serviço em audiometria ocupacional e entenda como ela se encaixa no PCMSO. Para agendar, fale com a MT10 pelo WhatsApp informando a função, o setor e a quantidade de trabalhadores.